sábado, 1 de outubro de 2011

Prova Comunicação Social - BNDES - 2009

34 Foco nas instâncias de comunicação como lugar de produção da mensagem, ou seja, de geração e circulação de sentido, de construção de campos de significação. A descrição acima está associada ao conceito de semiose, por entender que a comunicação é dialógica.

"(...) na troca dialógica entre dois interlocutores, Peirce encontra “o mais maravilhoso tipo de funcionamento sígnico” (MS 283: 119). Isto é, durante a conversação ocorre a troca sígnica entre a mente emissora e a mente interpretante e, deste para a primeira, o que forma o “paradigma da semiose” (SANTAELLA, 2004: 162), ou o processo semiósico. Portanto, para Peirce a ação sígnica interage entre dois comunicantes, o “emissor e o intérprete” (idem).

(...) Desse modo, a comunicabilidade só é possível quando “algo é intercambiado de um lugar para outro” (SANTAELLA, 2004:160), entre os Umwelts dos indivíduos envolvidos no diálogo e, que os interlocutores devem estar em alguma “forma de influência ou algum tipo de mudança” (idem) nessa formulação dialógica. Assim, essa mudança ou transformação entre os interlocutores só pode ser dada quando esse “algo intercambiado” possuir algum “conteúdo” (idem), também chamado de “informação” (idem). (Nesse sentido, a mensagem é o corpo dialógico que materializa a informação através da combinatória sígnica, o código. Para que essa mensagem seja intercambiada entre os interlocutores é necessária a existência de um “canal, veículo ou meio” (idem). Conforme Lúcia Santaella, “todo conteúdo” (idem) encontra sua manifestação na mensagem; “toda mensagem encarna-se em signos” (idem); e, a presença de um meio que possibilite a veiculação da mensagem entre os dois interlocutores. Nessa abordagem, estes são os pressupostos para um “nível básico” para as “interrelações entre a comunicação e a semiótica” (idem)." (p. 3-4)

Fonte: Luiz Nelson de Oliveira Trentini. Modelo da comunicação natural mediada pela Lógica de Peirce: TVdigital, semiose e dialogismo. 

"São estas algumas denifições de Peirce:
(i) [Um signo] é qualquer coisa que determina qualquer outra coisa (seu interpretante) a se referir a um objeto ao qual ele mesmo se refere (seu objeto) do mesmo modo, o interpretante se tornando por sua vez um signo, e assim por diante, ad infinitum. (CP2, 303)
(ii) Um REPRESENTAMEN é o sujeito de uma relação triádica DE um segundo, chamado de seu OBJETO, PAEA um terceiro, chamado de seu INTERPRETANTE, esta relação triádica sendo de tal ordem que o REPRESENTAMEN determina que seu interpretante fique na mesma relação triádica com o mesmo objeto para algum interpretante. (CP1, 541)
(iii) Um Signo, ou Representamen, é um Primeiro que está em uma tal relação genuína com um segundo, chamado seu Objeto, de modo que seja capaz de determinar um Terceiro, chamado seu Interpretante, para assumir a mesma relação triádica com seu Objeto na qual ele próprio está com o mesmo Objeto. (CP2, 274)
(iv) Um Representamen é o Primeiro Correlato de uma relação triádica, o Segundo Correlato, sendo chamado de seu Objeto, e o possível Terceiro Correlato sendo denominado seu Interpretante, por cuja relação triádica o possível Interpretante é determinado como o Primeiro Correlato da mesma relação triádica para o mesmo Objeto, e para algum possível Interpretante. (CP2, 242)
(v) [O signo] é determinado pelo objeto relativamente ao interpretante, e determina o interpretante em referência ao objeto, de tal modo que produza o interpretante a ser determinado pelo objeto através da mediação do signo. (MS318, 81)

Conforme essas definições: (1) o signo, ou semiose, é uma relação; (2) é uma relação entre coisas que podem ser abstraídas na forma de correlatos (termos da relação); (3) três são os termos necessários e suficientes para descrever o signo como uma relação; (4) o signo é uma relação irredutível de três termos; (5) signo, objeto e interpretante são os termos dessa relação; (6) o signo é o primeiro termo, o segundo é o objeto, e o terceiro é o interpretante; (7) o interpretante é determinado pelo objeto como uma determinação do signo pelo objeto.

De (1) e (2) pode-se inferir que o signo é um padrão, um arranjo de itens, qualidades, eventos, processos, e qualquer coisa que é signo, de qualquer natureza, pode ser abstraída na forma desse padrão; de (3), (4) e (5) infere-se que esse padrão é irredutivelmente triádico e S-O-I são seus termos; de (6) e (7) pode-se inferir que os termos dessa relação são definidos conforme a posição que ocupam relativamente aos outros." (p. 48-49)

Fonte: João Queiroz. Semiose segundo C.S. Peirce  

Nenhum comentário:

Postar um comentário